Sábado, 3 de novembro de 2007

Horta brasileira nos EUA

jornalhoje.jpg (17568 bytes)

Milhares de brasileiros que vivem nos Estados Unidos agora podem matar as saudades da comida de casa. Os professores de uma universidade americana criaram as condições ideais para plantar, em solo americano, legumes e hortaliças típicos do Brasil, como a mineiríssima taioba.

Jiló, maxixe e taioba. A horta é tipicamente brasileira, mas fica longe do Brasil. O projeto da Universidade de Massachusetts aproveita a grande concentração de brasileiros na região para criar uma fonte de renda para produtores locais.

As sementes vieram do Brasil. Com parceria de universidades e técnicos de Minas Gerais, os professores americanos conseguiram reproduzir as condições ideais do solo e do clima para a produção dos alimentos.

Em quatro anos, os desafios foram vencidos e o ciclo do produtor ao consumidor foi fechado.

Toda a produção é vendida em uma rede de supermercados que atende milhares de brasileiros que vivem nos Estados Unidos. Para eles é uma alegria encontrar velhos conhecidos como o quiabo, a abóbora japonesa e o jiló.

A principal estrela do projeto é a taioba, um produto tipicamente mineiro. A pesquisa conseguiu produzir taioba com a mesma qualidade brasileira. Por causa do clima, a produção nos Estados Unidos dura apenas três meses. Assim, enquanto no Brasil um molho custa R$ 0,50, a variedade americana sai por quase R$ 8. Ela seria a prima rica da taioba mineira, mas ninguém reclama do preço porque a saudade muito é maior.

“A gente não pode levar o preço muito em consideração. Tudo vale porque a saudade do Brasil é muito grande” conta o pedreiro Mazinho Pinto.

“Eu adoro taioba. A primeira coisa que a minha mãe faz quando volto para o Brasil é taioba. Então eu vou matar a saudade.” diz o jardineiro Uelmar Ferreira.

A produção de taioba já rende dois milhões de dólares na costa leste dos Estados Unidos, onde há grande concentração de brasileiros.

“A demanda do mercado é tremenda. Queremos fazer muito mais pesquisas e no ano que vem, teremos mais taioba à venda” conta o pesquisador da Universidade de Massachusetts, Frank Mangan.

O sucesso é tão grande que a taioba já é objeto de mestrado na Universidade de Massachusetts. O projeto inclui ainda uma parceria para que o Brasil forneça os alimentos durante o inverno, quando a produção americana é interrompida.